Quando a Alma se Liberta
Perder, dizem os homens, é padecer. Porém, quando a alma se desprende dos véus mundanos e contempla os desígnios eternos, bem sabe que perder é, por vezes, ganhar em luz, em verdade e em alforria. Não são todas as perdas obra do acaso, nem fruto de desventura. Muitos há, entre os homens sábios, que reconhecem nelas o sabor do karma — essa força invisível que rege os laços entre vidas, destinos e escolhas passadas. O karma não pune, mas ensina. É o escriba da memória espiritual, tecendo com linha invisível as histórias que hão de curar ou repetir. Quando perdemos algo que nos era caro, cumpre lembrar que talvez a alma, em tempos imemoriais, haja consentido tal prova para sua elevação. E se assim é, perder não será maldição, mas alvorada de compreensão. O verdadeiro sábio não se desespera ante o revés, antes o acolhe com semblante sereno, vendo no ocaso da posse o fulgor da liberdade. Saber perder é render-se à corrente da existência, é como soltar a vela ao vento sem receio ...