Porque Voltamos Para Quem Nos Magoou?
Há uma pergunta que muitas pessoas fazem em silêncio.
"Se eu sei que esta pessoa não me faz bem... porque continuo a querer voltar?"
Talvez tu próprio já a tenhas feito.
Talvez conheças alguém que termina uma relação, sofre durante meses, promete nunca mais voltar... e, quando recebe uma simples mensagem, sente que tudo recomeça.
À primeira vista parece falta de força.
Ou dependência.
Ou até falta de amor-próprio.
Mas a realidade costuma ser muito mais complexa.
O fim de uma relação raramente acontece no mesmo dia para os dois
Quando duas pessoas se separam, há uma tendência para imaginar que ambas vivem exatamente o mesmo processo.
Mas quase nunca é assim.
Há quem tenha começado a despedir-se meses antes da separação.
Há quem só perceba verdadeiramente a perda quando a outra pessoa já foi embora.
Por fora, a relação termina no mesmo dia.
Por dentro, cada um vive um calendário diferente.
É por isso que tantas vezes ouvimos frases como:
"Ele já seguiu em frente e eu ainda penso nele todos os dias."
Ou:
"Ela parece feliz... e eu continuo preso ao passado."
Não significa que um amou mais do que o outro.
Significa apenas que cada pessoa faz o luto emocional ao seu ritmo. A investigação em psicologia mostra que a recuperação após uma separação depende de muitos fatores: estilo de apego, investimento emocional, circunstâncias da relação e apoio social.
O cérebro também sofre uma separação
Quando nos apaixonamos, o cérebro cria associações profundas.
A voz daquela pessoa.
O cheiro.
As mensagens.
Os lugares.
Os planos.
Tudo isto passa a fazer parte da nossa rotina emocional.
Quando a relação termina, não desaparece apenas uma pessoa.
Desaparece uma parte da vida que construímos à volta dela.
É por isso que sentimos um vazio tão grande.
Não estamos apenas a perder alguém.
Estamos a perder hábitos.
Projetos.
Identidade.
Uma versão de nós próprios.
Os estudos mostram que uma rejeição amorosa ativa áreas cerebrais relacionadas com a dor física e com os circuitos de recompensa, o que ajuda a explicar porque a separação pode ser tão intensa.
Porque voltamos?
Nem sempre voltamos porque ainda existe amor.
Às vezes voltamos porque existe esperança.
Esperança de que desta vez seja diferente.
Esperança de que a outra pessoa tenha mudado.
Esperança de recuperar aquilo que sentimos no início.
Outras vezes voltamos porque confundimos familiaridade com segurança.
Mesmo quando uma relação é difícil, o conhecido pode parecer menos assustador do que o desconhecido.
O cérebro prefere muitas vezes aquilo que conhece... mesmo que isso implique sofrimento.
O ciclo que tantas pessoas vivem
Existe um padrão que se repete com frequência.
Primeiro vem a saudade.
Depois a idealização.
Esquecemos as discussões.
Recordamos apenas os momentos bons.
Enviamos uma mensagem.
Voltamos.
Durante algum tempo parece funcionar.
Mas, se nada mudou verdadeiramente, os mesmos conflitos regressam.
A relação termina novamente.
E o ciclo recomeça.
Não porque sejamos fracos.
Mas porque ainda não aprendemos aquilo que aquela experiência nos veio mostrar.
E se o verdadeiro desafio nunca tiver sido a relação?
Há uma pergunta que mudou completamente a forma como olho para os relacionamentos.
E se aquela pessoa nunca tivesse aparecido apenas para ficar?
E se tivesse aparecido para despertar partes de ti que estavam adormecidas?
Talvez a relação tenha mostrado onde tinhas medo de ser abandonado.
Onde precisavas de aprovação.
Onde confundias amor com necessidade.
Onde deixaste de cuidar de ti.
Isto não significa que tudo aconteça por um motivo inevitável.
Nem que o sofrimento seja "merecido".
Significa apenas que, mesmo nas experiências mais difíceis, podemos encontrar crescimento.
É uma forma de recuperar algum sentido quando tudo parece perdido.
O amor também precisa de liberdade
Há uma frase que me acompanha há muito tempo.
Nem todas as pessoas que entram na tua vida foram feitas para ficar.
Algumas chegam para ensinar.
Outras para desafiar.
Outras para mostrar aquilo que ainda precisas de curar.
E algumas ficam.
O problema começa quando tentamos transformar todas as pessoas em destinos...
...quando algumas eram apenas passagem.
Não te culpes por ainda sentir
Há quem ache que seguir em frente significa deixar de amar.
Não é verdade.
Às vezes seguimos em frente continuando a guardar carinho.
O que muda é que deixamos de acreditar que precisamos daquela pessoa para sermos completos.
Isso leva tempo.
E está tudo bem.
Curar não é apagar o passado.
É deixar de viver preso a ele.
Uma reflexão final
Talvez a pergunta nunca tenha sido:
"Porque continuo a voltar?"
Talvez seja:
"O que continuo a procurar nessa pessoa que ainda não encontrei dentro de mim?"
Porque, quando essa resposta aparece, algo muda.
Deixas de correr atrás de quem parte.
E começas finalmente a caminhar na direção de quem te estás a tornar.
Um Mega Ate ^Ja
Silvia Palma


Comments
Post a Comment