A MINHA ALMA JÁ FEZ HORAS EXTRA
Há dias em que não estás cansado. Estás simplesmente cheio.
Há um tipo de cansaço que não se resolve com uma noite bem dormida.
O corpo descansa, mas a cabeça continua a trabalhar.
Continuas a pensar naquela conversa.
Naquela pessoa.
Naquela decisão que ainda não sabes se foi certa.
No que devias ter dito.
No que não devias ter permitido.
No futuro.
No passado.
Naquilo que ainda precisas de resolver dentro de ti.
E depois alguém pergunta:
“Estás cansado?”
Estás.
Mas não sabes explicar exatamente de quê.
Porque talvez não seja apenas o corpo que esteja cansado.
Talvez seja a tua capacidade de estar sempre a tentar perceber tudo.
Sempre a tentar melhorar.
Sempre a tentar compreender os outros.
Sempre a tentar encontrar um significado para aquilo que aconteceu.
Sempre a tentar transformar uma ferida numa aprendizagem.
Sempre a tentar ser uma versão mais consciente de ti.
E, sinceramente?
Há dias em que a tua alma também precisa de bater o ponto e ir embora.
Nem tudo precisa de ser compreendido hoje
Existe uma espécie de pressão silenciosa associada ao crescimento pessoal.
Como se tivéssemos de estar constantemente a evoluir.
Curar.
Perdoar.
Desapegar.
Aceitar.
Compreender.
Elevar a consciência.
Encontrar a lição.
Transformar a dor em propósito.
E se hoje simplesmente não conseguires?
Se hoje não quiseres encontrar nenhuma lição?
Se hoje estiveres apenas cansado?
Está tudo bem.
Nem toda a dor precisa de produzir sabedoria imediatamente.
Nem toda experiência precisa de ser analisada até ao último detalhe.
E nem todas as fases da vida precisam de fazer sentido enquanto estamos a atravessá-las.
Às vezes, precisamos simplesmente de parar.
Respirar.
Ficar quietos.
E admitir:
“Hoje não quero evoluir. Hoje quero descansar.”
A evolução também precisa de descanso
Talvez tenhamos aprendido a confundir evolução com esforço constante.
Mas crescer não significa estar permanentemente a trabalhar sobre nós próprios.
Há momentos em que evoluímos precisamente quando deixamos de forçar.
Quando paramos de procurar respostas.
Quando deixamos uma situação respirar.
Quando aceitamos que ainda não sabemos.
Quando deixamos de tentar salvar toda a gente.
Quando percebemos que não precisamos de carregar aquilo que pertence aos outros.
Porque existe uma diferença enorme entre trabalhar em nós próprios e estar constantemente a tentar consertar-nos.
Tu não és um projecto defeituoso que precisa de manutenção permanente.
És um ser humano a viver uma experiência.
E isso já dá trabalho suficiente.
Talvez a tua alma esteja apenas a pedir uma pausa
Talvez não estejas perdido.
Talvez estejas cansado.
Talvez não tenhas perdido a tua motivação.
Talvez tenhas simplesmente dado demasiado de ti durante demasiado tempo.
Talvez não precises de outra resposta.
Precises de silêncio.
Talvez não precises de outra pessoa para te explicar o que sentes.
Precises de te ouvir.
E talvez aquela sensação de:
“Já não consigo mais.”
não seja o fim de alguma coisa.
Talvez seja apenas o teu limite a dizer:
“Agora chega. É a minha vez de descansar.”
Porque, no fundo...
A alma também tem limites.
Também precisa de silêncio.
Também precisa de dias improdutivos.
Também precisa de rir de tudo aquilo que tentou levar demasiado a sério.
E talvez seja por isso que esta frase tenha tanto de verdade como de humor:
A MINHA ALMA JÁ FEZ HORAS EXTRA.
Não é desistir.
Não é deixar de crescer.
Não é deixar de acreditar.
É simplesmente reconhecer que até a evolução precisa de horário de saída. 🌙
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