O Guerreiro e o Amante Precisam Um do Outro
Dentro de nós existem forças que, à primeira vista, parecem opostas.
Uma quer avançar.
Outra quer sentir.
Uma protege.
Outra entrega-se.
Uma diz: “Levanta-te e enfrenta.”
A outra pergunta: “Mas o que é que o teu coração realmente quer?”
São o Guerreiro e o Amante.
E talvez um dos maiores erros que cometemos seja escolher apenas um deles.
O Guerreiro sem o Amante
O Guerreiro representa a coragem, os limites, a ação e a capacidade de enfrentar aquilo que precisa de ser enfrentado.
Ele sabe dizer não.
Sabe afastar-se.
Sabe lutar pelo que considera importante.
Mas, quando vive sozinho, pode transformar força em dureza.
Começa a lutar contra tudo.
Contra as pessoas.
Contra as circunstâncias.
Contra as próprias emoções.
E, muitas vezes, chama “força” àquilo que, no fundo, é apenas medo de sentir.
O Amante sem o Guerreiro
O Amante representa a sensibilidade, o prazer, a ligação, a empatia e a capacidade de se deixar tocar pela vida.
Ele sente profundamente.
Ama.
Percebe nuances que outros ignoram.
Mas, quando vive sem o Guerreiro, pode confundir amor com ausência de limites.
Aceita demasiado.
Perdoa demasiado.
Permanece onde já não existe reciprocidade.
E chama “amor” àquilo que, muitas vezes, é medo de perder.
Quando os dois se encontram
O verdadeiro equilíbrio acontece quando o Guerreiro protege aquilo que o Amante considera precioso.
E quando o Amante lembra ao Guerreiro por que razão vale a pena lutar.
O Guerreiro diz:
“Eu não permito que te destruam.”
O Amante responde:
“E eu não permito que te transformes naquilo contra o qual estás a lutar.”
Um estabelece limites.
O outro mantém o coração aberto.
Um dá direção.
O outro dá significado.
Um pergunta:
“O que precisa de ser feito?”
O outro pergunta:
“Porquê?”
E talvez seja essa a verdadeira maturidade emocional: conseguir agir sem deixar de sentir e sentir sem deixar de agir.
Não precisas de escolher entre força e sensibilidade
Ser sensível não significa ser fraco.
Ter limites não significa não amar.
Chorar não apaga a tua coragem.
Dizer “não” não significa que deixaste de sentir.
E afastar-te de alguém não significa necessariamente que deixaste de amar.
Às vezes, é precisamente porque aprendeste a amar-te que finalmente consegues partir.
O Guerreiro ensina-te a não te abandonares.
O Amante ensina-te a não te fechares.
E talvez a evolução esteja precisamente aqui:
ter força suficiente para proteger o coração sem construir uma muralha à sua volta.
Porque o Guerreiro precisa do Amante para se lembrar de que nem todas as batalhas precisam de ser travadas.
E o Amante precisa do Guerreiro para se lembrar de que nem todo o amor merece acesso ilimitado à sua vida.
No final, nenhum dos dois precisa de vencer.
Precisam de aprender a caminhar juntos.
Porque a verdadeira força não está em deixar de sentir.
Está em conseguir sentir profundamente e, ainda assim, escolher conscientemente como agir.

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