Vivemos numa sociedade que julga os outros por pecados diferentes dos nossos

 



Há uma frase que vi recentemente e que ficou a ecoar na minha cabeça:

“Vivemos numa sociedade de pecadores que julgam outros pecadores por pecarem pecados diferentes.”

É uma frase forte, mas talvez seja precisamente por isso que nos faz pensar.

Todos nós julgamos. Uns mais, outros menos. Faz parte da nossa forma de interpretar o mundo. Crescemos com ideias sobre o que é certo e errado, sobre o que devemos ou não devemos fazer, sobre aquilo que é aceitável e aquilo que não é.

O problema começa quando acreditamos que a nossa maneira de viver é a única maneira certa.

É muito fácil olhar para a vida de outra pessoa e pensar:

“Eu nunca faria isso.”

“Como é que ela consegue?”

“Eu no lugar dela fazia de outra maneira.”

Mas nós não estamos no lugar dela.

Não conhecemos a história daquela pessoa. Não sabemos o que viveu, o que perdeu, aquilo que aprendeu ou aquilo que ainda está a tentar compreender.

E, principalmente, não sabemos o que a levou até determinada escolha.

Isso não significa que devamos aceitar tudo o que os outros fazem.

Não significa que devemos desculpar comportamentos que nos magoam ou permitir que alguém ultrapasse os nossos limites.

Podemos discordar.

Podemos afastar-nos.

Podemos dizer não.

Mas existe uma diferença muito grande entre estabelecer um limite e condenar alguém.

O julgamento também pode ser um espelho

Há outra questão que considero ainda mais interessante.

Porque é que algumas atitudes dos outros nos incomodam tanto?

Às vezes porque vão contra os nossos valores. E isso é perfeitamente normal.

Mas outras vezes há qualquer coisa mais profunda.

Aquela pessoa pode estar a fazer algo que nós próprios nunca nos permitimos fazer.

Pode estar a viver uma liberdade que desejávamos.

Pode estar a dizer aquilo que sempre tivemos medo de dizer.

Pode estar a escolher um caminho que nós abandonámos por medo, por obrigação ou simplesmente porque achámos que não era para nós.

E é aí que o julgamento se torna interessante.

Porque talvez o outro esteja a funcionar como um espelho.

Não para nos mostrar que somos iguais a ele.

Mas para nos mostrar uma parte de nós que ainda não conhecemos bem.

Nem tudo o que fazemos precisa de ser justificado

Também acredito que, quando falamos de evolução pessoal, existe um erro frequente.

Pensamos que evoluir significa deixar de errar.

Não acho que seja assim.

Somos humanos. Vamos errar, mudar de opinião, tomar decisões das quais mais tarde nos arrependemos e fazer coisas que, olhando para trás, faríamos de outra maneira.

Faz parte.

O importante é perceber o que fazemos com essas experiências.

Aprendemos?

Assumimos aquilo que fizemos?

Tentamos reparar?

Ou passamos a vida a encontrar culpados para tudo?

Talvez seja essa a verdadeira diferença.

Não entre pessoas boas e pessoas más, mas entre pessoas que estão dispostas a olhar para si mesmas e pessoas que passam a vida a olhar para os outros.

E aquilo que trazemos connosco?

Quando começamos a olhar para a nossa vida de uma forma mais profunda, percebemos que nem tudo aquilo que sentimos começou necessariamente no momento em que sentimos.

Há padrões que se repetem.

Medos que parecem não ter uma explicação clara.

Relações que nos despertam emoções muito fortes.

Sensações de familiaridade.

Bloqueios que parecem surgir sempre nos mesmos temas.

É precisamente por isso que gosto tanto da ideia de olhar para a nossa história para além do óbvio.

Não como uma forma de encontrar desculpas para aquilo que fazemos, mas como uma forma de perceber melhor quem somos e os padrões que carregamos.

O autoconhecimento começa muitas vezes com uma pergunta muito simples:

“Porque é que isto se repete na minha vida?”

E talvez essa pergunta seja muito mais útil do que perguntar:

“Porque é que aquela pessoa é assim?”

Porque sobre os outros temos muito pouco controlo.

Sobre nós, temos uma responsabilidade muito maior.

Antes de julgarmos, podemos simplesmente observar

Da próxima vez que sentires vontade de julgar alguém, experimenta parar.

Não precisas de concordar com a pessoa.

Não precisas de gostar das suas escolhas.

Pergunta apenas:

“Porque é que isto me incomoda tanto?”

Às vezes a resposta vai ser simples.

Outras vezes não.

Mas pode abrir uma porta para uma parte tua que ainda não tinhas observado.

E talvez seja esse o verdadeiro trabalho interior: não tentar ser perfeito, mas ter coragem para nos conhecermos cada vez melhor.

Afinal, todos estamos a aprender.

Só que estamos em momentos diferentes da nossa história.


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Se este tema despertou alguma coisa em ti e sentes que existem padrões na tua vida que gostarias de compreender melhor, o Mapa Akáshico pode ser um ponto de partida para essa reflexão.

É uma leitura criada para explorar a tua história de uma forma mais profunda, olhando para padrões, experiências e aprendizagens que podem estar relacionados com o teu caminho.

Não se trata de procurar culpados nem de prever o futuro.

Trata-se de olhar para dentro e fazer perguntas diferentes.

Se sentes que há coisas na tua vida que se repetem e que ainda não consegues compreender, talvez esteja na altura de olhar para a tua história de outra forma.

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